10/02/2021 às 14h02min - Atualizada em 10/02/2021 às 14h02min

Bonfim, a terra do bom comércio

Artigo #1 da Coluna A Terra do Bom Comércio

Ao olharmos pela luneta do tempo, observamos que a formação de Senhor do Bonfim partiu de três roteiros econômicos.

O primeiro, ligado às expedições bandeirantes que desbravaram os sertões em busca de pedras e metais preciosos. O segundo, com a ocupação das terras pela Casa da Torre de Garcia D’Ávila, período em que foi criada a Missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy. E, por fim, o terceiro roteiro, relacionado aos tropeiros e vaqueiros que traziam e levavam gado para o Maranhão, Piauí e Ceará.

Além de entendermos os motivos do povoamento de toda região, esses movimentos permitem compreender a importância das atividades econômicas para criação do Arraial do Senhor do Bonfim da Tapera.

Logo, o pequeno povoado, situado à margem da estrada das boiadas, cresceu em decorrência ao comércio do gado.

Ao final do Século XVIII, o então Arraial da Tapera passou a ser a Vila Nova da Rainha, recebendo assim sua autonomia administrativa e política. Contudo, a elevação à categoria de vila não se deu apenas pelo reconhecimento da Coroa Portuguesa, coube aos comerciantes e fazendeiros locais, arcarem com os custos de instalação que foram na ordem de $679$600 (seiscentos e setenta e nove mil e seiscentos réis), algo em torno de R$ 83.500,00 (oitenta e três mil e quinhentos reais) em valores atuais.

A economia da vila continuou em crescimento, tendo como base a pecuária, principalmente em torno da compra e venda de animais na área, que ficou conhecida como Campo do Gado. Outros produtos agrícolas como fumo, milho e café também passaram a ser produzidos e comercializados na região. Isso acabou atraindo mascates que percorriam os sertões e permitiu o surgimento de pequenos comércios, dando origem a feira livre, que se tornaria uma das maiores e mais importantes feiras do Nordeste.

Já com o status de cidade, Bonfim teve com a chegada da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, um divisor de águas para seu desenvolvimento econômico.

Além de escoar a produção agrícola, o trem possibilitou a chegada de produtos manufaturados, muitos importados, bem como o aumento no fluxo de pessoas que passavam pela cidade, tendo como consequência, a abertura de diversos armazéns, lojas e hotéis. Esse crescimento continuou nas primeiras décadas do Século XX, transformando Bonfim em um dos mais importantes centros comerciais da Bahia.

Nossas origens estão diretamente relacionadas a essas atividades econômicas, o desenvolvimento do município se deve muito aos empreendedores bonfinenses, ou aos vindos de outros estados, ou até mesmo de outros países. E, são essas histórias que vamos contar, as trajetórias desses homens e mulheres que transformaram Bonfim na Terra do Bom Comércio.

Referências:
Notícias e Saudades da Villa Nova da Rainha, aliás, Senhor do Bonfim (Paulo Machado)
Senhor do Bonfim – Minha Rua, minha história (Paulo Machado & Camila Machado)
Alex Barbosa

Alex Barbosa

Minha Cidade

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