01/06/2021 às 11h01min - Atualizada em 01/06/2021 às 11h01min

O que nos une é nossa identidade. O que nos dá significado, são as pessoas que aqui buscam refúgio e que repensam nossa cidade no mundo pós-pandêmico.

Essa semana, assisti Nomadland – Sobrevivendo na América no Século XXI”, cuja história originou o longa de mesmo nome que ganhou três Oscars neste ano: melhor filme, direção e atriz para Frances McDormand e conta como é a vida de milhares de pessoas que vivem e viajam em trailers nos EUA.

No filme, a história acontece em Empire, no estado de Nevada, uma“cidade empresa” que era proprietária de todos os imóveis e que abrigou 750 pessoas, todos funcionários.

E, depois de assistir o filme, é impossível não fazer uma alusão do enredo dele ao desenvolvimento de uma cidade, comparando com os conceito da ‘antifragilidade’ e ‘monofunção’.

Organizações em processos seletivos estão utilizando o conceito antifragilidade, onde as adversidades são superadas pela aceitação, e não pela reação onde, aceitar significa entender o contexto em torno de um imprevisto e aprender com ele.

O que acontece se, uma cidade depende de uma única empresa e ela fecha? O que acontece com um lugar onde uma única economia movimenta todo o comércio e serviço dessa cidade?

Uma cidade fica muito dependente de uma cultura monofunção, quando os vetores do desenvolvimento dela são mínimos, deixando desta forma, a cidade mais frágil enquanto lugar.

Daí eu fico pensando: E Bonfim?

Nossa cidade é uma cidade comercial. E turística, mesmo alguns ainda dizendo que não. Antes de 2020 era ainda mais comercial e turística com a chegada do São João. E, com a pandemia, sofremos muitos problemas com o sumiço do turistas e o fechamento contínuo do comércio.

Será que, antes da pandemia, Bonfim, tornou-se sem perceber, um uma cidade que tinha uma monofunção sazonal, ou seja, de “trabalho temporário” durante os festejos juninos, e entrou em uma zona de conforto com esse formato? Caberia aí um estudo sobre o tema.

O que eu tenho certeza é que a pandemia e o dinamismo dos tempos atuais mostrou a força da habilidade comportamental da antifragilidade que o bonfinense tem e quão equivocado está o pensamento de que, ser uma cidade “monofunção”, como a cidade Empire do filme Nomadland, é sinônimo de desenvolvimento.

O que nos une é nossa identidade. O que nos dá significado, são as pessoas que aqui buscam refúgio e que repensam nossa cidade no mundo pós-pandêmico.
André Luís Miranda

André Luís Miranda

Apresentador do Empreende Bonfim, André é Designer e sócio da Engendrar Comunicação.

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